Curiosidades sobre Madrid (parte 3)

Os madrilenhos, seguindo a tendência geral do país, bebem e fumam muito. Ainda assim, a expectativa de vida na Comunidade de Madrid é a mais alta da Europa. Em poucos minutos você vai notar que a terceira idade representa uma fatia bem grandinha da população por aqui. E o melhor: eles são independentes e superativos. Descubra mais no terceiro post com curiosidades de Madrid. Perdeu os dois primeiros? Confira aqui e aqui!

Vivem bastante 

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Maya Balanyá / ABC

Você vai cruzar com muitos velhinhos nas ruas de Madrid. E no transporte público. E nas praças com seus cachorros. E nos bares tomando uma caña (chope). E nos jogos de futebol, principalmente do Atlético de Madrid. Eles não costumam ter ajudantes ou enfermeiros e parecem bem independentes. Aliás, minhas duas amigas no prédio novo têm mais de 80 anos.

Atualmente, a expectativa de vida na Espanha é de 82,8 anos. Na Comunidade de Madrid o número é ainda mais expressivo: 85,2 anos (dado atualizado em 2018), o maior da União Europeia, segundo relatório da Eurostat (Oficina Estadística de la Unión Europea). O que me chama a atenção é que a esperança de vida em Madrid é maior do que a do país número um do mundo no ranking, o Japão, com 83,7 anos.

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Joana Tiso / Entre tapas y cañas

Como você pode imaginar, as taxas de morte por doenças cardiovasculares e por tumores aqui estão entre as mais baixas do mundo. Os números são todos impressionantes.

Entre as razões para a vida longa, costuma-se destacar a qualidade do sistema de saúde; os hábitos de prevenção, como medir a pressão arterial e fazer mamografia com regularidade; a dieta mediterrânea, que inclui peixes, grãos, azeite e frutas; as caminhadas e o longo intervalo para almoço e descanso pós-comida. Aliás, escrevi sobre a siesta e os horários da capital num outro post, olha só.

Para não dizer que tudo são flores, cito um mau exemplo: muita gente não respeita o assento preferencial no transporte público de Madrid. Não é raro ver senhores em pé no metrô e jovens sentados. Me indisponho diariamente com isso.

Adoram beber

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Joana Tiso / Entre tapas y cañas

A Espanha tem a maior proporção de bares por habitante do mundo. São mais estabelecimentos por aqui do que nos Estados Unidos, que é infinitamente maior. Bebe-se muito, principalmente cerveja, e a capital não foge à regra. Madrid é a cidade com mais bares do país, embora não seja a com maior quantidade de locais por pessoa.

“Solo en Antón Martín (região do centro de Madrid) hay más bares que en toda Noruega” é uma frase famosa por aqui. E não é exagero. Só na zona entre Atocha e Antón Martín, com cerca de 500 metros de distância, existem mais bares do que na Noruega e seus 390 mil quilômetros quadrados de extensão. Ao menos é o que se conta por aqui.

Com a crise, cerca de 30 mil lugares fecharam as portas na Espanha, mas o setor voltou a crescer em 2015. Segundo o Instituto Nacional de Estadística, houve um aumento de 5,5% nas vendas dos bares no último ano. A principal razão foi o boom no turismo, inclusive aqui na Comunidade de Madrid, região que mais cresce em turismo internacional na Espanha.

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Joana Tiso / Entre tapas y cañas

Os números atuais são desencontrados, mas ainda existem pelo menos 100 mil bares no país e eles representam 15% do PIB, o dobro da média europeia (informações de 2016). Outro dado impressionante: o negócio de hotéis, restaurantes e bares cresceu 6,8% no ano passado, mais do que o dobro do que avançou o PIB no mesmo período (3,2%). No total, contando também restaurantes e cafés, há em torno de 260 mil estabelecimentos na Espanha atualmente.

Li no El Mundo que a melhora na economia logo reflete nos resultados dos bares e restaurantes por aqui, já que os espanhóis adoram sair para comer e beber na rua. O jornal descreve a Espanha como um país barero.

Os madrilenhos certamente estão entre os mais apaixonados por bar e cerveja. Em Madrid, há muitas zonas boêmias, com ruas tomadas por bares, como a Cava Baja, em La Latina, a Calle Echegaray, no Barrio de las Letras, a Calle Argumosa, em Lavapiés, e a Calle Ponzano, em Chamberí.

Fumam demais

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Joana Tiso / Entre tapas y cañas

Eu amo as terrazas madrilenhas, mas há um inconveniente para quem não curte cigarro: fuma-se muito por aqui. Espanha é um dos países da Europa onde o tabagismo é mais forte. Quase 30% dos espanhóis fumam. Além disso, os jovens fumantes daqui são os que mais cedo acendem o primeiro cigarro no continente.

Com impostos mais altos, restrição em locais fechados e divulgação maior sobre os riscos, os números do consumo de cigarro no Brasil caíram bastante nas últimas décadas. Aqui também há lei antitabaco e não se pode fumar dentro dos estabelecimentos, mas parece que as tentativas de reduzir o consumo de cigarro não foram tão eficientes. Um indício disso é a quantidade de lojas de tabaco espalhadas pelas ruas de Madrid. São muitas mesmo.

Joana Tiso / Entre tapas y cañas

Oficialmente, os números de venda de cigarro caíram na Espanha – não como no Brasil, mas caíram. Desde 2014 houve uma baixa de 1% (dados do início deste ano). Vende-se bem menos cigarro hoje do que há uma década. A queda, porém, é mais lenta do que a média da União Europeia.

Li numa matéria que as pessoas não deixaram de fumar por aqui, mas fumam com menos intensidade hoje em dia. isto é, muitas fumam na rua enquanto bebem algo. Talvez por isso a sensação de que os espanhóis sigam fumando tanto.

Uma curiosidade: vejo cada vez mais gente fumando tabaco de liar em Madrid. Ou seja, compram filtro, seda e tabaco e montam o cigarro. Parece que está todo mundo fumando maconha na rua, mas é cigarro mesmo. Aliás, aqui o autocultivo de maconha é permitido, desde que consumido no âmbito privado. A lei, porém, não é clara em relação à quantidade.

Como falam

Os madrilenhos falam alto. Pode ser que você estranhe num primeiro momento. É comum escutar o garçom confirmando o pedido de uma mesa que está do outro lado do restaurante ou se assustar com a conversa repentina de um grupo que passa pela janela da sua casa. Notei que as pessoas costumam se despedir e depois retomar o assunto quando já estão distantes. E seguem assim, conversando numa altura considerável e a metros um do outro.

Joana Tiso / Entre tapas y cañas

Os madrilenhos falam alto e falam bastante também, inclusive por telefone. Os moradores da Comunidade de Madrid conversam, em média, 229 minutos ao mês pelo celular – é a segunda região da Espanha que mais se comunica desta forma. Isso dá para notar facilmente caminhando pelas ruas da capital.

Além de falar muito e alto, os madrilenhos falam rápido. É possível que você se assuste e tenha dificuldade para entender frases simples logo que chegar.

E repetem palavras, como “pasa, pasa” (basicamente um “vá logo e não me atrapalhe mais”). “Vale” e “venga” também são bem faladas e repetidas por aqui. “Vale” deve ser a palavra mais popular de Madrid, tendo um sentido de “ok, tá bom”. É comum se despedir usando as duas juntas: “vale, venga, hasta luego”. É também frequente repetir palavras com o intuito de enfatizar uma informação.

¡Vale, venga, hasta luego, amigos! 😉

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